Era uma Festa Gramatical.
Ele intransitivo, ela cheia de predicados.
Encontraram-se meio que por acaso; talvez tenha rolado uma certa paronímia.
O ébrio cavalheiro, catecrético, notou a hiperbólica alegoria da moça.
Ela, disfemimicamente, apenas sorriu.
Mal o denotava.
Ele queria porque a queria… ainda bem já que os artigos eram bem definidos ali, em gênero e número!
Tratou logo de chegar adjunto, com jeitinho eufêmico.
Com seu olhar frio, a Sinestesia percebeu a ação do Pleonasmo naquela dupla de dois.
Observando também, o Epizêuxis veio, veio, veio e chegou perto, mas preferiu chamar o Polissíndeto, já que esse entende de paixões e de flertes e de amores e de ficadas e de beijos…
Ele, se achando mais-que-perfeito, desandou a ser subjuntivo;
Ela, elíptica, escondeu algo de seu pretérito.
(Soube-se mais tarde que no pretérito dela havia um sujeito oculto para quem suas orações eram coordenadas)
Ele, perante tal dama, disse: Entre
Ela: Após?
Ele:Com?
Ela:Sob?
Ele:Sobre
Ela: Contra
Ele: Dê!
Ela: Para Trás!
Enfim, radical e num surto que mais parecia um ataque com um objeto direto nela, onomatopéias voando, zoomorfização virando vírgula, mandando tomar no anacoluto…
Em meio à conjunção temporal num copo d’água, ela conclusiva, ele explicativo, ela causal, ele prolixo, ela lacônica, ele sorri, ela sorri, ele a abraça, ela o abraça, eles se beijam…
E no final de toda essa confusão, perceberam que era ela Imperfeita e ele Imperativo.